A ORIGEM DA DANÇA DO VENTRE

Há muitas teorias que tentam explicá-la. O fato é que, há 3 000 a.C., as sacerdotisas egípcias já praticavam a dança nos templos, em devoção à deusa Ísis. Era uma forma de meditação e conhecimento do próprio corpo. O ritual só podia ser feito por sacerdotisas que desde meninas eram treinadas para este culto.  A dança do ventre está ligada diretamente a fertilidade, os seus movimentos são inspirados nos animais, nos quatro elementos e em toda a natureza.

Deusa Ísis

 

Sabe-se que, primitivamente, o conceito de Deus era feminino, associado a uma Grande Mãe. Temos muitas indicações que a veneração a divindades femininas era parte integrante das tradições sagradas mais antigas. Em alguns desses rituais eram feitas danças que simbolizavam a origem da vida através de movimentos ondulatórios rítmicos do ventre.

Outra versão atribui o seu surgimento aos rituais Sumérios, a mais antiga civilização reconhecida historicamente. Estes habitavam, junto com os semitas, a Mesopotâmia (região asiática delimitada pelos vales férteis dos rios Tigre e Eufrates, atual sul da Turquia, Síria e Iraque). Também há indícios históricos da existência de uma dança com características semelhantes à Dança do Ventre em países como Grécia, Turquia, Marrocos e norte da África.

Mas  há historiadores que acreditem que ela existe há mais de 9 mil anos. Foram encontradas no Saara ocidental, mais especificamente na Argélia, pinturas rupestres mostrando dançarinas em posições típicas da dança oriental, datadas de 7 000 a.C.

Porém em um aspecto todos concordam: no século VII, os árabes chegaram ao Egito, e as culturas de ambos os povos ficaram bastante ligadas. Foi assim que eles tiveram contato com essa arte. O povo árabe adotou a dança do ventre e espalhou-a por todo o mundo, através dos comerciantes e viajantes.

Assim, a música e a dança tornaram-se algumas das principais marcas culturais do mundo árabe. As pessoas se encontram, tocam e  dançam,  com  bastante  freqüência.

A música e a dança também têm bastante importância em ocasiões especiais relacionadas com as festividades e a alegria, como casamentos. É nessas ocasiões em que podemos conhecer e entender as crenças, a cultura e a vida desses povos.

O ritmo e a dança árabe tradicionais foram mantidos em algumas tribos especiais destes lugares. No Egito, por exemplo, existe a “Ghawazee”, que preservou a dança e a música tal como elas eram em sua origem, claro que com pequenas mudanças devido ao passar dos séculos. A diversidade da dança é muito forte, pois, além dos elementos tradicionais, possui vários traços específicos de cada país do mundo árabe. Hoje, a Raks El Sharki — como a dança é conhecida nos países árabes — tem influência no mundo inteiro, pois resistiu aos séculos e foi aprimorada. No século XIX, muitos ocidentais visitavam países árabes e, acostumados com o pudor da era vitoriana, ficavam impressionados com a beleza e a sensualidade da dança oriental.


A Dança no Ocidente

A partir do século XX a dança começou a se popularizar no mundo todo, inclusive no ocidente. Surgiu o “estilo cabaré”, termo que se refere aos restaurantes e casas de chá com apresentações ao vivo e que também ficaram muito populares nessa época.

Mais especificamente, a primeira vez em que a dança foi vista no Ocidente foi na Mostra Mundial de Paris, em 1889. Vários artistas árabes de rua foram trazidos à mostra, e impressionaram a todos, inclusive ao  “American Sol Bloom”, que levou a dança à América pela primeira vez, na Exibição Mundial de Chicago, em 1893.

Em meados do século XX, porém, a dança já não estava tão em alta, e as bailarinas de hoje devem muito à americana Jamila Salimpour, que, nas décadas de 50, 60 e 70, resgatou o brilho dessa arte (Jamila foi a primeira a apresentar a dança da espada). Suhaila Salimpour, sua filha, foi treinada desde os 3 anos de idade, e, hoje, admirada mundialmente, utiliza de técnicas especiais que raramente são usadas por outras bailarinas.

A Dança no Brasil

Em nosso país, não podemos deixar de louvar a querida mestra paranaense Amyna Jambay e a mestra paulista Sharazad. Também devemos agradecer ao Tony Mouzayek, que contribuiu muito para divulgar a música árabe por aqui. Hoje, com 25 anos de carreira e mais de 20 cds lançados, ele é reconhecido  mundialmente.

Porém, no mundo todo, nos últimos tempos, a dança do ventre acabou sendo deturpada, e ganhou um significado errado. Os amantes dessa arte, felizmente, vêm lutando para retomar o prestígio dela. Aqui no Brasil a dança já é bastante popular, porém, mesmo aqui, há aqueles que não a vêem com bons olhos e tentam corromper a sua imagem. Mas aqui também há muitos batalhadores, que se esforçam em difundir a dança e o seu verdadeiro significado: a beleza, a alegria e a magia da sensualidade.