Modalidades da DanÇa do Ventre

  1. A dança do ventre possui várias modalidades diferentes. Vários objetos foram sendo incorporados a dança com o passar dos tempos, e junto com eles, roupas e acessórios especiais. Conheça aqui detalhes sobre cada uma dessas modalidades e as várias versões para sua origem:
  2. Fadwa e Jorge Mouzayek, famoso derbakeísta brasileiro

Solos de Derbake

O derbake é um instrumento de percussão muito importante no ritmo árabe, sendo que a maioria das músicas são impulsionadas por ele. Nos tempos antigos, era feito de barro e pele de cabra; atualmente, são mais comuns em fibra e plástico.
Enquanto o derbakeista toca, a bailarina vai executando os movimentos de acordo com o ritmo; em momentos mais rápidos, o mais comum é o shimie, acompanhado com movimentos de batida. A técnica fica a cargo dos quadris e ombros, enquanto o pescoço, tronco, cabeça, mãos e movimentos de cambret se encarregam da emoção.

Dança Com Véus

O véu está presente em vários textos datados da época do antigo Egito relacionados a dança, por isso pode-se perceber porque é tão usado pelas bailarinas hoje em dia. Os véus estão relacionados ao elemento ar, aos ventos do deserto. A prática da dança com véus é bastante popular no ocidente, e permite inúmeros passos, dando bastante liberdade a bailarina. O uso dos véus varia: pode-se usar de um até nove véus.
Sua origem é bastante vaga; atualmente, aceita-se que ela está relacionada com a origem da dança dos sete véus.

Dança Dos Sete Véus

Existem duas explicações diferentes para a origem da dança dos sete véus. A primeira diz que a dança se originou no mito de Ishtar, deusa babilônica do amor e da fertilidade. Essa história foi adaptada na Bíblia e tornou-se a história de Salomé. Na história original, Ishtar descia ao mundo subterrâneo e ficava lá durante seis meses. Nesse tempo, nada nascia e a terra morria. Mas nos outros seis meses, Tammuz, seu marido, descia para vê-la, a terra renascia e todos comemoravam. Quando descia ao submundo, Ishtar tinha que passar por sete portais, e em cada um, deixaria uma jóia, uma de suas virtudes e um véu. Quando chegava ao destino, já estava nua e indefesa como qualquer mortal. Na Bíblia, essa história é relacionada com a de Salomé. Após dançar para Herodes, o rei ficou tão encantado que lhe disse para pedir qualquer coisa que ele lhe daria. Ela pediu a cabeça de João Batista. Na primeira versão, a retirada de cada véu representa cada portal pelo qual Ishtar teve de passar, e para cada véu a bailarina demonstra um sentimento diferente.
Mas uma segunda versão diz que cada véu está relacionado a um chakra e a uma emoção do ser humano. Confira abaixo a cor de cada véu e seu chakra correspondente:

Vermelho: chakra básico
Laranja: chakra umbilical
Amarelo: chakra do plexo solar
Rosa e/ou Verde: chakra cardíaco
Azul: chakra laríngeo
Violeta: chakra frontal
Branco: chakra coronário

 

Raks Al Saif, Dança Da Espada ou Dança Da Cimitarra

Há várias versões para a origem da dança da espada. Uma diz que essa dança surgiu nas tabernas e casas de prostituição. Quando os soldados voltavam das batalhas e iam as casernas para se divertir, as mulheres desses lugares pegavam suas espadas e equilibravam-nas nas cabeças, no quadril ou em outras partes do corpo, para entreter os guerreiros.
Em outra versão, a dança tem sua origem no Arjã, uma dança que era executada somente por homens, no qual o homem mais velho da aldeia dançava com a espada e com ela golpeava um prato de metal, como sinal de vitória sobre os inimigos. O arjã é o estilo conhecido como folclórico.
E uma terceira versão diz que essa dança servia para homenagear Neit, deusa da guerra, mãe de Rá (deus sol). Dançar com a espada simbolizava a destruição dos inimigos e a abertura de novos caminhos.
A espada da dança é a cimitarra, uma espada bem curva, de origem turca. É uma das coreografias preferidas das bailarinas para demonstrar equilíbrio e coordenação motora.

Raks Al Shamadan, Dança Do Castiçal ou Dança Do Candelabro

Essa é uma dança bem antiga e tradicional. É muito comum em festas de casamento ou batizados de crianças. A bailarina dança com o Shamadan, um candelabro aceso cheio de velas (7, 9, 13 ou até 17 velas), em cima da cabeça. De acordo com a tradição, elas simbolizam a luz e a felicidade que virá na vida dos noivos ou dos bebês. As velas geralmente são brancas, que significam a pureza, mas também pode-se usar outras cores, como vermelha (amor, sexo, fecundidade), verde (dinheiro), azul (carinho), amarelo (saúde), lilás (transmutação) e rosa (afeto).

Dança Do Punhal

Essa é uma variação da dança da espada. As informações sobre sua origem são muito vagas. O mais provável é que tenha surgido no Egito, em homenagem a deusa Selkis, rainha dos escorpiões, simbolizando a transformação, o sexo e a morte. A dança do punhal não é considerada folclórica pelos povos do oriente.

Dança Da Serpente

A serpente sempre foi um animal sagrado, simbolizando a sabedoria. Por causa disso, antigamente, as sacerdotisas dançavam com uma serpente de metal, muitas vezes de ouro. Hoje em dia, muitas bailarinas dançam com serpentes de verdade. Isso aumenta o espetáculo da dança, porém deve ser considerado apenas como um show de variedades, pois nem nos primórdios da dança o animal era utilizado. Sendo a serpente um animal sagrado, as bailarinas nunca usavam uma de verdade, mas sim adornos que representassem-na (é comum ver pulseiras, tiaras e anéis em forma de serpente) e movimentos que a imitassem.

Dança Das Taças

Uma variação da Raks Al Shamadan. Consiste em dançar usando velas em pequenas taças e, assim como a dança do candelabro, é constantemente usada em festas de casamento, aniversários e batizados. A simbologia é a mesma da Raks Al Shamadan.

Dança Com Snujs

Essa é uma das práticas mais comuns da dança com instrumentos. As sacerdotisas usavam os snujs para purificar o ambiente e espantar os maus fluidos.
Os snujs são pequenos címbalos de metal, instrumentos de percussão para acompanhar o ritmo da música. São dois em cada mão, num total de 4.
Para se tocar snujs, a bailarina tem que ter uma excelente noção rítmica e musical, caso contrário pode “se perder” durante a música e acaba se atrapalhando até nos movimentos corporais.
Os snujs podem ser tocados durante toda a música, durante um certo trecho ou ainda serem tocados por um músico ao invés da bailarina.

Dança Com Daff ou Dança Com Pandeiro

O daff é um pandeiro oriental, um pouco diferente do pandeiro que nós conhecemos. O daff é mais leve e é tocado pela bailarina enquanto dança, acompanhando o ritmo da música, assim como os snujs. Acredita-se que, no início, era uma outra pessoa que tocava para a bailarina dançar, mas, com o tempo, a própria dançarina passou a tocá-lo. Os ritmos mais rápidos são os mais apropriados para a dança com o daff, com a bailarina batendo o instrumento no corpo enquanto dança.
As danças com instrumentos são sempre muito festivas e alegres.

Dança com Véu Wings

Surgiu através de inspirações nos desenhos dos papiros para enaltecer os Deuses Egípcios e por quê não utilizar essa idéia para enaltecer o nosso público? Mesmo aprendendo alguns movimentos isolados você vai notar que se deixar levar pela sua própria criatividade, além dos movimentos aprendidos, você vai criar infinitos movimentos que vão enaltecer a sua dança.

Estilo Tribal

Surgiu nos EUA, em 1969, quando a bailarina Jamila Salimpour, ao fazer uma viagem ao Oriente, se encantou com os costumes dos povos tribais. De volta à América, Jamila resolveu inovar e mesclar as diversas manifestações culturais que havia conhecido em viagem. Com sua trupe Bal Anat, passou a desenvolver coreografias que utilizavam acessórios das danças folclóricas e passos característicos da dança oriental, baseando-se em lendas tradicionais do Oriente para criar uma espécie de dança-teatro, acrescentando um figurino inspirado no vestuário típico das mulheres orientais.
Nos anos 1980, novas trupes já haviam se espalhado pelos EUA. Masha Archer, discípula de Jamila, ensina à Carolena Nericcio a técnica criada por Jamila baseada nos trabalhos de repetição e condicionamento muscular do Ballet Clássico adaptados aos movimentos das danças étnicas. Incentivada pelas diferenciações do novo estilo, Carolena forma sua própria trupe e dá novos contornos à história do Estilo Tribal.
Com sua trupe Fat Chance Belly Dance, inseriu no Estilo Tribal a característica mais forte do Estilo Tribal Americano: a improvisação coordenada. Baseia-se numa série de códigos e sinais corporais que as bailarinas aprendem, trupe a trupe. Esses sinais indicam qual será o próximo movimento a realizar, quando haverá transições, trocas de liderança, etc. Uma nova postura foi adotada pelas bailarinas desse estilo, criaram uma comunidade de mulheres “fortes”, como se fosse um lado oposto a dança do ventre oriental sem a “elegância” dos arabesques e giros e das próprias roupas. As roupas são desenvolvidas com menos brilhos e características ímpares.
Nos anos 90, o Estilo Tribal passou a demonstrar a presença de outras danças. Além da Dança do Ventre, introduziu Dança Indiana, Flamenco, dança moderna e jazz. Nasce então o Neo Tribal, um sub-estilo que já não se mantém preso ao sistema de sinalização do Estilo Tribal Americano, trabalha com peças coreografadas e ganha liberdade com a adição de novos movimentos, inovações cênicas, acessórios e composição de figurino.